Em relação aos tempos de catequese, só posso dizer que ainda bem que só foram dois anos. A primeira vez que andei na catequese foi há três anos e entrei no 7º volume. Eu tinha 16 anos e fui integrada numa turma de pessoas com 13 anos.
Começou a correr tudo mal, quando chegámos à época do São Martinho e tínhamos uma apresentação para preparar. Com uma colega decidi apresentar uma coreografia que seria gira de interpretar em grupo, mas pelos vistos não era nada adequada para a igreja. Vai-se lá perceber o porquê!! O adequado era andarmos a saltitar à volta de uma falsa fogueira e a declamar poemas sobre castanhas!! Fantástico, não é? Óbvio que bati o pé! No dia seguinte fui chamada e lá me transferiram para o 9º volume, porque os temas trabalhados no 7º não faziam qualquer sentido para a minha idade. Na Páscoa, algo que também me chateou bastante, foi o facto de nos terem pedido para ajudar a preparar os ramos para o Dia de Ramos. Fui ajudar de boa vontade e aquilo prolongou-se até depois da meia noite. À meia noite e pouco disse que me ia embora, porque não só estava a trabalhar, enquanto outros se limitavam a "brincar", como ainda criticavam os ramos que fazia, pois não estavam feitos da maneira exata que queriam. Lá passou um ano e eu fiz a 1ª Comunhão, só porque os relembrei que eu iria fazer esse ano, senão não fazia.
No 10º volume tivemos automaticamente de fazer parte do grupo de jovens, pois eram muito poucos os elementos que pertenciam ao mesmo. Logo no início fomos distribuídos por grupos, de modo a elaborarmos um trabalho acerca de um tema à nossa escolha. Os temas foram indicados e o meu grupo escolheu educação. Fizemos entrevistas, montámos um vídeo, organizámos um pequeno debate e ainda fizemos cartazes. Resposta que recebemos: "Não estou satisfeita com o trabalho, porque a maior parte das pessoas entrevistadas não sabem do que estão a falar." (a catequista era professora) e acrescentou muito mais, o que me levou a perder a paciência, principalmente por ter sido a única a defender o trabalho, os restantes "comeram e calaram". Como contornar esta situação do trabalho: Escrever uma carta para o ministério da educação a indicar as nossas insatisfações relativas ao ensino". É que estão mesmo a imaginar-me a fazer isso...O que é que a religião tem a ver com a educação a nível do ensino? Misturas destas já são demais!! Os meus colegas escreveram a carta e enviaram, porém eu nem lhe toquei e nem sequer a li. Ficaram indignados com a minha atitude, especialmente por ter ido dizer-lhes pessoalmente que não ia mesmo fazer a carta. O mais irónico disto tudo é que eu devia escrever uma carta a reclamar, mas a catequista que era a professora e se mostrava descontente, não foi à greve realizada nesse dia. Ah e antes de fazermos o Crisma, fizemos um teste (sim leram bem, um teste) acerca dos nossos conhecimentos religiosos...Com o que aprendemos lá, acho que ninguém faria Crisma, pois os resultados foram péssimos.
Fiz o Crisma e acabei por perceber que não queria continuar a pertencer àquele grupo e a aturar situações com as quais não concordo e que não estão de acordo com os meus valores. Com os problemas que tive, percebi as razões pelas quais algumas pessoas deixam de acreditar na religião. Outros momentos, como a venda de artigos na igreja, eram só aquela cereja no topo do bolo. Eu não digo que não vendessem, mas ao ponto de ficarem irritados com o facto de um dia irem lá os de outra igreja, da mesma paróquia, vender, faz-me confusão. Igreja essa que os ajudou a angariar fundos para construir a deles. O mais importante era sempre o dinheiro, infelizmente!
Falando agora no 2º tópico. Tenho duas amigas muito diferentes uma da outra no que toca à religião. Uma é ateia e a outra é protestante. Já devem estar a imaginar as conversas, que por vezes se originavam entre ambas. Uma não acreditava pelas razões dela, já a outra acreditava demais, chegando mesmo a criticar a religião católica.
Sinceramente, eu acho que a religião tem os seus prós e contras e há mesmo muitas pessoas que a levam ao extremo. Eu não gosto de extremos. Eu acredito em Deus, no entanto há histórias na Bíblia que para mim não têm muita lógica. Eu posso acreditar na religião católica e não ter de seguir todas as suas "regras", como por exemplo, ter de me confessar. Se me quiser confessar, confesso-me a Deus! Não faz sentido confessar-me a um padre, que apesar de todos os seus estudos, não deixa de ser um ser humano como eu.
Podia escrever muito mais sobre este tema, porém a religião é um tema com "muito pano para mangas"...
Cada um acredita à sua maneira, esta é a minha perspetiva.
Este texto insere-se no desafio "Deixa as Palavras Voarem" do blogue Uma Pérola no Deserto.

Também queria participar neste tema do DAPV :) é realmente um tema com pano para mangas e que causa muita controvérsia. Eu só tenho a primeira comunhão e fi-la por obrigação e não por querer. Sou ateia.
ResponderEliminarEu no toca à religião, sou indiferente!
ResponderEliminarÉ um pano para mangas infindável. Obrigada pela participação :)
ResponderEliminarA religião para mim não diz nada, sou ateia!!
ResponderEliminarSou católica, e sim, acredito em Deus com todo o gosto que o digo! :)
ResponderEliminarr: obrigada querida.
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